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Histórico do Volei

O esporte hoje é considerado um fenômeno cultural e está inserido em todas as sociedades e grupos sociais organizados de todo o mundo. Independente do nível sócio-cultural e do meio, lá está ele, sendo praticado, admirado, ensinado e pesquisado em suas diversas formas, como atividade física voltada para a saúde, como meio de ascensão política, financeira e social, podendo ser de alto nível, escolar, formal e não formal, de formação ou de rendimento, enfim, independente dos objetivos, este fenômeno denominado esporte, ganha cada vez mais espaço na mídia e em popularidade no mundo inteiro. Sem estar desvinculado desta cultura, o voleibol tem um espaço significativo no mundo dos esportes.

O voleibol é considerado um esporte para todos e a rápida divulgação dessa modalidade esportiva não foi acidental. Esse esporte, desde sua criação, era altamente recreativo. É um jogo interessante, fácil de aprender, não exige material sofisticado e pode ser praticado tanto em quadras abertas ou fechadas, em piso de madeira, grama, cimento ou praia.É um esporte coletivo que traz grande motivação ao conjunto e pode ser praticado por pessoas de todas as idades e ambos os sexos. Em contrapartida, pode ser altamente competitivo, exigindo alto nível de habilidade individual e coletiva de seus praticantes. Porém, só poderá ser jogado nesse nível por atletas que recebam um treinamento intenso e específico. Portanto, o voleibol pode ser um jogo recreativo e relaxante, como também pode ser altamente competitivo exigindo alto nível de habilidade individual e treinamento.

O criador desse esporte se surpreenderia, e muito, ao assistir a um jogo de voleibol na atualidade, tanto pela sua popularidade e alterações que sofreu desde a sua criação, como pela evolução da técnica e tática, individual e coletiva das equipes masculinas e femininas que disputam campeonatos de alto nível em todo o mundo.

Para compreendermos melhor o que é o voleibol, sua evolução e nos situarmos no contexto histórico, faremos um relato da história e evolução desse esporte, apesar dos poucos registros e da carência de referências bibliográficas no assunto. Antes, porém, faz-se necessário conceitualizar as técnicas básicas (fundamentos) usadas no jogo de voleibol, com o objetivo de facilitar o entendimento do texto, pois essas técnicas serão abordadas freqüentemente no decorrer da leitura.

. Saque: é a ação de colocar a bola em jogo. O saque pode ser executado por baixo (a bola é batida com uma das mãos abaixo da linha da cintura), ou por cima (a bola é batida com uma das mãos acima da cabeça);

. Manchete: é o fundamento usado na recepção de bolas baixas. Na manchete, a bola deve ser batida na face interna dos antebraços, em sua metade inferior;
. Toque: é a técnica usada na recepção de bolas médias e altas, em levantamentos e passes. No toque, o contato com a bola é feito acima e à frente do rosto através da parte anterior das falanges distais dos dedos das mãos;

. Ataque: é a ação de enviar a bola para a quadra adversária. A cortada (o jogador bate na bola, em suspensão, com uma das mãos, acima da cabeça) é a habilidade técnica mais usada para atacar a bola e, geralmente, é o terceiro toque em uma ação ofensiva;

. Bloqueio: é a ação dos jogadores, posicionados perto da rede, de interceptar a bola vinda da quadra adversária, acima do bordo superior da rede.

O voleibol foi criado no ano de 1895 pelo americano William Morgan, diretor de educação física da YMCA (Associação Cristã de Moços) na cidade de Holyoke, em Massachussets, EUA. Quando essa prática esportiva foi criada, recebeu o nome de minonette. Nessa época, o esporte em evidência era o basquetebol, que havia sido criado apenas a três anos, também no estado de Massachussets, e que rapidamente se difundira. Apesar de toda essa evidência, o basquetebol não era o esporte mais adequado aos homens de mais idade, pois era muito vigoroso e cansativo. Por sugestão do pastor Lawrence Rinder, Morgan idealizou um jogo menos fatigante que o basquetebol para os associados mais velhos da Associação Cristã de Moços. Outra possibilidade, é que o voleibol nasceu da necessidade de variar as atividades lúdicas destinadas à recreação de classes formadas por homens de negócios, que se dirigiam a YMCA em busca de recreação e relaxamento. Inspirado no tênis e no handebol, Morgan colocou uma rede semelhante à de tênis a uma altura de 1,83 metros. Sobre a rede era batida uma câmara de bola de basquetebol, surgindo assim o esporte que mais tarde viria a ser chamado voleibol, que inicialmente era lento e pouco movimentado. Sobre a altura da rede, há controvérsias. Outros autores afirmam que a altura inicial da rede era de aproximadamente 1,90 metros. Atualmente a altura da rede é estabelecida conforme a idade e sexo dos jogadores, partindo de 2, 15 metros para iniciantes até 2, 43 metros para adultos.

Segundo alguns autores, a primeira bola utilizada para o jogo de voleibol, foi uma câmara de ar de bola ao cesto (como também era conhecido o jogo de basquetebol). Esta câmara foi rejeitada por ser muito leve e de pouca velocidade. A bola usada para a prática do basquetebol também foi testada e não foi aceita por ser muito pesada, dura e grande. Por esse motivo, William Morgan solicitou à firma G. Spalding & Brothers a fabricação de uma bola especial para o novo esporte. Após várias experiências, chegou-se a uma bola que acabou satisfazendo às exigências feitas por Morgan, que não era tão leve como a primeira nem tão pesada quanto a segunda.

Inicialmente, o voleibol ficou restrito à cidade de Holyoke e ao ginásio da YMCA, onde William Morgan era diretor. Em uma conferência de diretores de educação física dos EUA, na Universidade de Springfield, denominada “Springfield College”, duas equipes de Holyoke fizeram uma demonstração do novo esporte. Na primeira exibição do voleibol, William Morgan organizou duas equipes de cinco homens cada, comandados respectivamente pelos Srs. J. Currane e John Lynch.

O doutor T. Halsted, depois de observar o novo esporte criado a um ano por Morgan, sugeriu que seu nome fosse passado de minonette para voleibol, tendo em vista que a idéia básica do jogo era manter a bola em voleio, sendo jogada de um lado para o outro, por sobre a rede.O nome de voleibol perdura até hoje, sofrendo algumas variações dependendo da língua de origem de cada país.

As regras de voleibol propostas inicialmente determinavam que as dimensões da quadra eram de 15,35 metros de comprimento e 7,625 metros de largura. Entretanto, outros autores afirmam que a quadra deveria ter 15,25 metros de comprimento e 7,65 de largura, ambas menores do que as medidas da atualidade que são de 18 metros de comprimento e 9 metros de largura. A rede tinha a largura de 0,61 centímetros e um comprimento de 8,235 metros.

A primeira bola feita especialmente para a prática do voleibol era feita de uma câmara de borracha coberta de couro ou lona de cor clara, e tinha por circunferência 67,5 centímetros e o seu peso era de 255 a 340 gramas. Atualmente, a bola deve obedecer a um rigoroso controle de qualidade, peso e circunferência, para atender as exigências do voleibol moderno. As últimas regras estabelecidas pela CBV, determinam que a bola deve ser esférica, sendo sua capa de couro flexível e a câmara interior feita de borracha ou material similar; sua cor deve ser uniforme e clara ou uma combinação de cores; o material sintético e a combinação de cores das bolas usadas nas competições internacionais oficiais devem obedecer aos padrões da Federação Internacional de Volley Ball - FIVB, ou seja, a circunferência deve ser de 65 a 67 centímetros e o peso de 260 a 280 gramas; a pressão interna deve ser de 0,423 a 0,45 libras; podem ser usadas até três bolas em uma partida oficial, e todas devem ter as mesmas características; em competições da FIVB as bolas usadas nos jogos devem ser aprovadas por essa entidade.

A partir da primeira exibição em Springfield, estado de Massachussets, o voleibol difundiu-se em outras cidades desse estado e da Nova Inglaterra (Guilherme,19--). Carneloço (19--), afirma que a expansão inicial do voleibol foi pequena, apesar da boa aceitação que teve na primeira exibição, pois a sua prática era reduzida para poucas pessoas, no princípio cinco jogadores de cada lado, e o fato de ser jogado em ginásios. A soma desses fatores fez com que precisasse de muito tempo para evoluir. Essa evolução acentuou-se após fazer parte dos programas de atividades esportivas escolares e a ser jogado ao ar livre, tornando-se bastante popularizado em locais de veraneio e áreas de lazer em todos os Estados Unidos. Assim como nos EUA, a Associação Cristã de Moços Internacional foi o elemento de divulgação do novo esporte em todo o mundo. O Canadá, no ano de 1900, foi o primeiro país a adotar o voleibol. Em Cuba, foi jogado pela primeira vez em 1905; já em Porto Rico, o primeiro jogo foi no ano de 1909; nas Filipinas foi um ano mais tarde, em 1910; no oriente, mais precisamente China e Japão, o voleibol ingressou no ano de 1913. Na Europa, a primeira demonstração de voleibol foi feita pelas tropas americanas durante a Primeira Guerra Mundial. Desde então, espalhou-se por diversos países tais como França, Tchecoslováquia, Polônia e União Soviética.

O estilo e as regras do voleibol desenvolveram-se de diferentes formas em cada parte do mundo, sendo adaptadas à cultura, características dos jogadores e espaço a ser usado para a prática desse esporte. A partir da criação da Federação Internacional de Volley Ball (FIVB) a 20 de abril de1947 com uma representação de 14 países (inclusive o Brasil), somado a padronização das regras e a organização de campeonatos internacionais, que o desenvolvimento do voleibol foi realmente estimulado. O primeiro campeonato mundial dessa modalidade esportiva foi no ano de 1949, na cidade de Praga, capital da Tchecoslováquia e contou com a participação de dez países.

Na América Latina, o voleibol surgiu no ano de 1910, através de uma missão contratada pelo governo peruano junto aos EUA, com a finalidade de organizar a instrução primária no país. Trabalharam de comum acordo na modificação dos programas de Educação Física para crianças, que surgiram nessa época e careciam de jogos. Os jogos propostos foram o basquetebol, o handebol e o voleibol, mas não chegaram a ultrapassar as fronteiras do país. Somente em 1912, em Montevidéo, no Uruguai, com a presença e o incentivo do voleibol pela ACM, surgiram as primeiras sementes que, mais tarde, viriam a produzir os frutos desejados com a disseminação do voleibol nos demais países da América Latina.

Não se sabe ao certo quando o voleibol chegou ao Brasil. Alguns autores afirmam que foi por volta de 1916/1917 que o voleibol foi trazido ao nosso país pela ACM de São Paulo. Entretanto, há quem afirme que o Colégio Marista de Pernambuco foi quem realizou a primeira partida de voleibol em solo brasileiro.

O primeiro clube brasileiro a introduzir o voleibol em seu plano de atividades, foi o Fluminense Futebol Clube do Rio de Janeiro (RJ) que, logo em seguida, realizou um Torneio Aberto dessa modalidade esportiva com os clubes ligados à Liga Metropolitana de Desportos Terrestres. Após a promoção de vários torneios na cidade do Rio de Janeiro sob o patrocínio da “Associação Metropolitana de Esportes Atléticos”, o voleibol passou a ser desenvolvido pelos clubes participantes. Logo após a fundação da Federação Carioca de Voleibol em 1938, foi realizado o primeiro Campeonato oficial da cidade. Nos outros Estados, as Federações surgiram pela década de 40. Surpreendentemente, o Estado de São Paulo, apesar de o voleibol ter sido introduzido no Brasil nesse estado, só veio a criar sua Federação em 1942. Foi no ano de 1944 que foi realizado o primeiro Campeonato Brasileiro, com a participação de equipes representantes dos Estados do Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Distrito Federal nos naipes masculino e feminino. Os Estados da Bahia, Santa Catarina e Pernambuco participaram somente com equipes masculinas. Venceram as competições os Estados de Minas Gerais, que ficou com o primeiro lugar feminino e o segundo lugar masculino, e o Estado de São Paulo, primeiro colocado no naipe masculino e segundo no feminino. A partir daí, os campeonatos brasileiros vêm se sucedendo regularmente.

Com a criação da Confederação Brasileira de Voleibol em 1954, os campeonatos brasileiros passaram a ser realizados a cada dois anos e, a partir de 1956 o Brasil passa a destacar-se com vitórias expressivas nos Campeonatos Sul-Americanos. Destaca-se também, no panorama internacional, o Campeonato Mundial masculino e feminino realizado em capitais brasileiras. O Brasil participa pela primeira vez dos Jogos Olímpicos no Japão e conquista a sétima colocação no naipe masculino. Em 1951, no Rio de Janeiro, sagra-se campeão dos jogos.

Daquele tempo até hoje, segue um caminho de vitórias que coloca nosso país entre os melhores do mundo no voleibol da atualidade, mas firma-se somente como uma das grandes potências do vôlei internacional na década de 80,quando, no mundial da Argentina em 1982 e nos Jogos Olímpicos de Los Angeles no ano de 1984, a seleção masculina conquista o segundo lugar nas duas competições, consagrando essa equipe como a “geração de prata” do voleibol brasileiro. Os jogadores tornam-se astros a passam a ser acediados pelos seus admiradores. Na atualidade, destacam-se as conquistas da medalha de ouro pela equipe masculina nas Olimpíadas de Barcelona de 1992 e do título de campeão da Liga Mundial de 1993. Desde então, a CBV passa a preocupar-se com a migração dos atletas brasileiros para o exterior e procura estudar maneiras de traze-los de volta. No naipe feminino, o Brasil conquistou a medalha de ouro no Grand Prix em disputa realizada na Ásia, e medalha de prata no mundial realizado no nosso país, ambas no ano de 1994. Em 1996, essa mesma equipe sua melhor colocação em Olimpíadas, o 3º lugar, na cidade de Atlanta.
As primeiras regras para a prática do voleibol foram editadas em um artigo no ano de 1986 na revista Norte-Americana “Physical Education”. Os termos usados na época sugerem várias traduções. Em função disso, foram selecionadas as questões mais relevantes em relação às primeiras regras para evitar quaisquer erros de interpretação. Segundo o autor, jogo deveria consistir de nove pontos e iniciava com um saque; a bola deveria ser batida com uma das mãos; o jogador que executava o saque precisava manter um pé sobre a linha de fundo ; duas tentativas de saque eram permitidas; marcava pontos apenas a equipe que estivesse sacando; a bola que tocasse na linha era considerada bola fora; um toque na rede executado pelos jogadores era também considerada bola fora; cada saque executado corretamente e que não fosse devolvido pela equipe adversária, contava um ponto para a equipe que estivesse sacando; se a bola tocasse um objeto fora da quadra, e voltasse para esta, o jogo prosseguia normalmente; era permitido um drible dentro do espaço de 1,20 metros da rede. Complementam outros autores que o número de jogadores não era limitado, mas deveria ser igual em cada lado do campo, e que estes deveriam fazer um rodízio para que todos passassem pela zona de saque.

Desde a sua origem, o voleibol já sofreu várias alterações, tanto nas dimensões da quadra, na altura da rede, regras de jogo e tipo de bola a ser usada para a prática desse esporte. As primeiras grandes alterações nas regras após a sua criação ocorreu no ano de 1900, quando a altura da rede cresceu em 15 centímetros a passa a ser de 2,13 metros, o set passa a terminar em 21 pontos, a bola que toca as linhas que delimitam a quadra é considerada dentro, e é considerado uma falta quando a bola toca em algum objeto fora da quadra. Destacam-se ainda outras mudanças: em 1912 a altura da rede é novamente alterada e passa a ser colocada a 2,28 metros do solo; em 1917 a altura da rede sobe mais alguns centímetros e passa a 2,44 metros, e os sets passam a ser de 15 pontos; no ano seguinte, em 1918, as equipes passam a ser de 6 jogadores; em 1921 é introduzida a linha central e, em 1922, foram regulamentados os três toques por equipe; no ano de 1925 estabelece-se 2 pontos de vantagem para se vencer o set; em 1938 é permitido o bloqueio duplo, até então proibido. Logo após, surgiram outras mudanças, entre elas salientam-se as seguintes: foram introduzidas as posições dos jogadores, o toque no bloqueio passou a ser nulo, o saque passa a ser usado como arma de ataque, surgiu a invasão da linha central, foi inventada a manchete e as medidas da quadra passam a ser de 18 metros de comprimento e 9 metros de largura. Essas medidas se mantêm até hoje.
Apesar das alterações que sofreu no decorrer da história, as características fundamentais do voleibol permanecem. Atualmente o voleibol caracteriza-se por ser um esporte jogado por duas equipes de seis jogadores cada , em uma quadra dividida por uma rede. O objetivo do jogo é o mesmo desde que foi idealizado por Morgan, ou seja, o de fazer a bola cair no campo adversário, enviando-a por cima da rede e impedir que isso aconteça no seu próprio campo. Cada equipe dispõe de três toques para devolve-la à quadra adversária, além do toque no bloqueio. Atualmente existem diferentes sistemas específicos no voleibol. Conforme as circunstâncias, aplicam-se diferentes sistemas ao jogo, cabendo aos participantes escolher a melhor forma de executá-los.

A bola é colocada em jogo com um saque, e o direito ao primeiro saque ou à posse da bola é decidido por sorteio. A bola continua em jogo até que caia dentro da quadra, vá para fora ou a equipe não devolva corretamente para a quadra oposta, ou seja, cometa alguma infração prevista em regra ao devolver a bola para a quadra adversária.

A seqüência de ações de jogadas desde o momento do toque do saque até a bola estar fora de jogo é considerado um rally, e a conseqüência para quem vence um rally são as seguintes: quando a equipe que executou o saque vence o rally, ganha um ponto e continua sacando; se a equipe que recebeu o saque vencer o rally, ganha um ponto e deve executar o saque seguinte após seus jogadores mudarem de posição, efetuando um movimento de rodízio no sentido dos ponteiros do relógio, essa característica, de realizar o rodízio, torna o voleibol um jogo bastante dinâmico, em que todos devem atuar em todas as posições. Entretanto, a evolução tática do voleibol e a aplicação de diferentes sistemas de jogo, fizeram com que essa regra, de certa forma, perdesse um pouco de sua principal característica, pois os jogadores passaram a cumprir funções específicas no jogo, tanto no ataque como na defesa e, conseqüentemente, “especializaram-se” em atuar em determinadas posições na quadra. Um exemplo clássico dessa especialização é a inclusão do líbero nas equipes das categorias juvenil e adulta, a partir de 1999.

As alterações na regra de voleibol aplicadas pela CBV a partir de julho de 2000, ditam que uma equipe ganha um ponto quando a bola toca na quadra de jogo do adversário, quando a equipe adversária comete uma falta, quando há uma falha na devolução da bola, ou quando a equipe adversária recebe uma penalidade . Uma equipe comete uma falta ao fazer uma ação contrária às regras.Os árbitros julgam a falta e determinam sua conseqüência de acordo com as regras.

O jogo de voleibol é jogado em sets e, em jogos oficiais, ganha a partida quem vencer três sets. Cada set é de 25 pontos. Um set é ganho pela equipe que primeiro atingir 25 pontos com uma diferença mínima de dois pontos em relação à outra equipe. Em caso de empate em 24 pontos, o jogo continua até que uma diferença de dois pontos seja atingida. Por exemplo: 26 a 24, 27 a 25 e assim sucessivamente. Havendo empate em sets (2 a 2), será jogado um set decisivo, o 5º set. Um set decisivo é de 15 pontos e, assim como os demais sets, só termina com um mínimo de 2 pontos de diferença.

As regras do jogo de voleibol foram, ao longo dos anos, adaptando-se à evolução técnica e tática dos jogadores e equipes. A potência e precisão conferida aos golpes no saque, e nas finalizações de diversas combinações de jogadas de ataque, realizadas cada vez com mais velocidade e eficácia pelos jogadores, somadas ao aumento da média de altura das equipes a cada ano e sua excelente preparação física, que faz com que os atletas desafiem as leis da gravidade e saltem cada vez mais alto, teve como resultado um desequilíbrio entre o nível de eficiência do ataque e a defesa. Essa desigualdade entre o ataque e a defesa, tornava cada vez mais difícil realizar defesas eficientes e manter a bola em jogo caso o bloqueio falhasse, resultando em jogos maçantes, demorados e cansativos (2 a 3 horas de duração), tanto para os atletas como para os expectadores, com “rallies” curtos e sem emoção. Conseqüentemente, houve a necessidade de que algumas regras fossem adaptadas a esse novo estilo de jogo. A possibilidade de as equipes utilizarem o líbero foi uma tentativa de aprimorar a defesa em jogos das categorias juvenil e adulta, já que outras regras criadas com o mesmo objetivo , apesar de facilitarem a defesa, ainda não surtiam o efeito desejado.

Entretanto, nem sempre as adaptações nas regras ocorreram apenas em função das transformações que vinham acontecendo dentro da quadra. Fatores extra-quadra também passaram a influenciar nas decisões da FIVB com relação à alteração de regras.

Pela grande popularidade do voleibol entre grupos de todas as faixas etárias, esse esporte passou a despertar o interesse da iniciativa privada, que passou a ver os atletas, os ginásios, enfim, tudo o que envolve esse esporte, como uma excelente vitrine para seus produtos e serviços. A partir do interesse da iniciativa privada em patrocinar equipes de voleibol, e das redes de comunicação em transmitir os jogos, estes passaram a ser transmitidos pela televisão e pelo rádio. Conseqüentemente a mídia também passa a influenciar nas alterações das regras do voleibol, na medida em que os jogos entre equipes de um nível técnico equilibrado vinham tendo a duração de 2 a 3 horas, o que desencorajava a cobertura pela TV e pelo rádio, devido à impossibilidade de prever a duração de uma partida.

Algumas mudanças recentes, o ponto por rally e a de o saque ser válido mesmo que a bola toque na rede, desde que passe para a quadra oposta , são um exemplo do prestígio da mídia. . Essas mudanças foram introduzidas nas regras oficiais para todas as categorias com o mesmo objetivo, ou seja, a de tornar o jogo de voleibol mais equilibrado, competitivo e menos cansativo, mas também, mais emocionante, para prender a atenção do telespectador. Assim, os jogos podem ser “encaixados” com maior facilidade na programação das redes de TV, pois, em função das alterações citadas anteriormente, é mais fácil de prever a duração de uma partida.
Mesmo com algumas alterações nas regras e o aprimoramento da qualidade técnica e tática da defesa nos últimos anos (surgiram até bibliografias especializadas no assunto), a supremacia do ataque em relação à defesa permanece, embora em um nível menor.

Como já foi citado, o voleibol não necessita de quadras ou ginásios cobertos para ser jogado. Pode ser jogado também na grama, terra ou areia e não necessita de material sofisticado para as instalações da rede. Em função dessas características, o voleibol foi popularizado também nas praias de todo o mundo, surgindo assim o voleibol de praia, jogado em duplas (2x2) ou em quatro jogadores (4x4), com regras específicas e adaptadas a essa modalidade.

O Brasil, pelo seu vasto litoral e clima tropical, logo assume essa nova maneira de jogar voleibol como uma “mania nacional” e, conseqüentemente, passa a destacar-se em campeonatos mundiais também nessa modalidade esportiva. Na última Olimpíada realizada em Atlanta (1996), o voleibol de duplas passa a ser um esporte olímpico e as equipes brasileiras alcançam excelentes resultados. As duplas femininas representantes do Brasil são campeãs e vice, e uma das duplas masculinas conquista a medalha de prata, firmando o voleibol como um esporte cada vez mais popular em nosso país, independente do local e da forma como for jogado.

Para chegar às atuais características e ser um dos esportes mais praticados em todo o mundo, o voleibol, com o passar dos anos, sofreu muitas modificações. Transformou-se, adaptou-se e, como qualquer outro tipo de atividade, escreveu sua história e desenvolveu seu processo evolutivo, exigindo cada vez mais de todos aqueles que dele participam direta ou indiretamente.

William Morgan faleceu em 27 de dezembro de 1942, com 72 anos de idade (Guilherme, 19--), sem poder presenciar a evolução do voleibol no decorrer da história. Fica registrada aqui uma homenagem ao homem que, com seu talento, ousadia e criatividade, deu os primeiros passos em direção a um esporte que encantou e encanta a várias gerações, capaz de mobilizar multidões e proporcionar, tanto para os praticantes como para os que o assistem, momentos de lazer, descontração e emoção.